Caminho para a escola, a pé, como sempre, o nevoeiro faz-me companhia, a ocasional luz de natal penetra a neblina omnipresente.

    Esta altura do ano é verdadeiramente estranha. Dias atrás pendurávamos decorações de Halloween, as crianças faziam pão por deus e penso que os católicos tenham ido ver os mortos ao cemitério, tudo isto ordens da tradição. Agora, penduramos decorações de natal e vamos ver os vivos à mesa, outra vez, justificamos-nos por “fazermos isto todos os anos”, também há quem diga que é por causa de Jesus, mas os romanos já festejavam a Saturnália quando Maria nem andava ainda.

    Os céticos queixam-se da futilidade destas tradições, não vêm a sua necessidade, mas eu discordo, é bom ter uma altura do ano em que o absurdo é aceite. A realidade é que só podemos chamar tudo isto de absurdo, não existe razão nenhuma para fazermos este espalhafato todo, mas já Camus dizia que precisamos de aceitar o absurdo para viver felizes, nada tem qualquer propósito intrínseco, nem o Natal nem tudo o resto. Infelizmente só aceitamos isto aos feriados.